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De entre as doenças crónicas existentes, as doenças respiratórias são as que apresentam maior taxa de mortalidade, afetando 2 milhões de portugueses e matando em média 47 pessoas por dia. Estas patologias traduzem-se em 70 mil internamentos anuais, 10% do total de internamentos registados em Portugal. As doenças do foro respiratório com maior prevalência em Portugal são a Asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Enquanto que a Asma está mais presente nas crianças e adolescentes, a DPOC instala-se sobretudo em indivíduos do género masculino com idade superior a 40 anos. Hoje em dia, estima-se que a Asma afete mais de 1 milhão de portugueses e a DPOC entre 700 a 800 mil portugueses. Apesar do maior número de asmáticos, a taxa de mortalidade é reduzida relativamente à da DPOC, tendo esta sido em 2014 a 2ª causa de internamento por doença respiratória.

A DPOC

A DPOC caracteriza-se pela limitação progressiva do fluxo respiratório e com reduzida probabilidade de ser revertida, devido à resposta inflamatória pela presença de partículas nocivas nas vias respiratórias. É uma doença incapacitante, com elevado impacto na realização das atividades da rotina diária, com os doentes a apresentarem tosse ou produção de expetoração frequentes e dispneia (falta de ar) e com comorbilidades associadas. É unânime, entre a comunidade científica, que esta patologia é subvalorizada e subdiagnosticada, estando apenas registadas cerca de 117 mil pessoas nos Cuidados de Saúde Primários com DPOC. A existência de exacerbações, que são eventos agudos que aceleram a progressão da doença, o declínio da função pulmonar e a qualidade de vida dos doentes, resultam muitas vezes em internamentos hospitalares.

Causas

De acordo com dados publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os fatores de risco associados ao crescimento do número de pessoas com DPOC estão consumo tabágico prolongado, a exposição à poluição atmosférica e fatores poluentes decorrentes de profissões com contacto com gases e poeiras nocivas ou agentes alergénicos.

Diagnóstico

Para além da presença da sintomatologia típica da DPOC, para se obter um diagnóstico definitivo é exigido a realização de uma espirometria. Este é considerado o método preferencial de diagnóstico, visto ser um meio objetivo, pradonizado e facilmente reprodutível, para medir o grau de obstrução das vias aéreas. No entanto, o que acontece é que apenas 10% dos doentes identificados têm o diagnóstico confirmado por espirometria. A espirometria consiste na medição de volumes expirados num determinado intervalo temporal e depois na comparação do valor obtido com o que seria esperado, tendo em conta a idade, altura e género.

Tratamento

O tratamento da DPOC passa pela elaboração de um plano que inclui a terapia farmacológica, geralmente com a administração de fármacos broncodilatadores e de ação anti-inflamatória através de um equipamento inalador, contemplado com a adição de terapias não farmacológicas como os Programas de Reabilitação Multidisciplinar. O objetivo é redução dos sintomas, a melhoria da capacidade de participação nas atividades da vida diárias e a redução de custos:

  • Educação dos doentes e prestadores de cuidados diretos no conhecimento da doença e na sua prevenção;
  • Otimização da terapêutica farmacológica com a melhoria da técnica de inalatória, da oxigenoterapia de longa duração e ventiloterapia domiciliária;
  • Suporte nutricional;
  • Intervenção psicológica e social;
  • Treino de exercício;
  • Técnicas de fisioterapia respiratória.

Controlo

Uma das principais medidas para o controlo da progressão e para a prevenção de exacerbações passa indubitavelmente pela cessação tabágica. Esta medida é a que maior impacto direto tem sobre a sintomatologia relacionada com a DPOC. Contudo, a autogestão da doença com o cumprimento do plano de tratamento, mas também a monitorização dos seus parâmetros biomédicos, sintomatológicos e historial de crises respiratórias, permite aferir a classificação GOLD que determina o estado da doença e o risco futuro de exacerbações.

O recurso a sistemas de monitorização domiciliária permite ao doente um maior conhecimento sobre a sua doença, ter um papel ativo, em conjunto com os seus prestadores de cuidados, de forma a agir preventivamente, consultando um profissional de saúde sempre que verifique a deterioração do seu estado de saúde. Esta monitorização contínua, em ambiente domiciliário, permite um maior conhecimento sobre a condição de saúde de cada doente, antecipando crises, evitando hospitalizações, com impacto direto e positivo no bem-estar e qualidade de vida destes doentes.

Para saber mais informações, consulte:

11º Relatório Prevenir as Doenças Respiratórias, Acompanhar e Reabilitar os Doentes. Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, 2016.
Report 2016, The Global Alliance against Respiratory Diseases (GARD).