elder-people-fragility

O envelhecimento demográfico regista-se um pouco por toda a europa com um acentuado aumento da percentagem das pessoas com idades superiores a 65 face a crianças e jovens até aos 15 anos. Em Portugal, a percentagem de jovens passou de 29,5% em 1950 para os 14,9% em 2011, ano do último recenseamento; já na população com mais do que 65 anos passou, respetivamente dos 7% para os 19%, sabendo-se que a tendência a curto e médio prazo manter-se-á. Esta realidade resulta da melhoria das condições de vida, do maior e melhor acesso à educação e aos cuidados de saúde.

O envelhecimento humano é marcado por alterações fisiológicas que ocorrem de forma diferenciada. O idoso “carrega” a sua própria velhice, única e singular, quando olhado de um ponto de vista individual. A preservação da independência e autonomia é um aspeto fundamental na avaliação da condição de saúde dos idosos. A fragilidade é uma síndrome relacionada com o processo de envelhecimento que induz uma condição de maior vulnerabilidade, resultante de alterações fisiológicas e biológicas associadas à idade. Deste modo, pode observar-se: o declínio físico através da limitação das funções físicas como manter-se de pé ou em equilíbrio, levando à incapacidade física; o declínio funcional manifestado pela dificuldade em se envolverem nas atividades da vida diária e de socialização; e, por último, o declínio cognitivo manifestado pela redução das capacidades cerebrais com episódios de delírio, perda de memória, comprometimento na linguagem e pensamento crítico.

O diagnóstico de fragilidade é realizado quando o idoso sente fraqueza, diminuição da capacidade de realizar atividades e redução do desempenho físico. Quanto mais vulnerável é um indivíduo, maior é o risco de quedas, imobilidade ou incapacidade, institucionalização e no limite a morte. De forma a combater o impacto da fragilidade na qualidade de vida do idoso há um conjunto de iniciativas que permitem reverter ou pelo menos atrasar o rápido declínio físico, funcional e cognitivo, requerendo sempre uma abordagem multidisciplinar.

A redução do declínio físico do idoso tem um papel importante na prevenção de quedas e pode ser conseguida através do incentivo à prática de exercício físico, atividades da vida diária ou instrumentais, uma vez que parte deste declínio está associado com um processo de atrofia muscular devido à inatividade. Além disso, a perda de peso corporal é um forte indicador da presença de fragilidade nos idosos, pelo que a inclusão de um plano nutricional adequado às necessidades do idoso permite que os índices corporais passem para níveis normais.

O declínio cognitivo e funcional remete para a estimulação cognitiva com a participação em grupos onde são realizadas atividades que como jogos que estimulam a memória de associação (associação de imagens, função de um objeto), de curto e longo prazo, estimular a criatividade e a capacidade artística (jogos teatrais, recitar poemas, partilha), desenvolver a estimulação multi-sensorial e o trabalho em equipa. Este tipo de atividades são muitas vezes asseguradas por instituições como as universidades séniores, iniciativas de associações locais, centros de dia, permitindo reduzir os sintomas depressivos e de vulnerabilidade depressiva e mitigando problemas como isolamento social.

Referências

[1] Dinâmicas demográficas e envelhecimento da população portuguesa (1950-2011): evolução e perspectivas, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Dezembro de 2014.
[2] A síndrome de fragilidade no idoso: marcadores clínicos e biológicos, Roberto A. Lourenço, Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto.
[3] Prevenção do declínio funcional e da síndrome da fragilidade em pessoas idosas, Comissão Europeia.
[4] Programa de Estimulação Cognitiva em Idosos Institucionalizados, Carla Gonçalves, 2012.