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O conceito de literacia em saúde surgiu em 1974 somente ligado às questões da promoção da saúde. Hoje em dia, a literacia em saúde é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “o conjunto de competências cognitivas e sociais e a capacidade dos indivíduos para acederem à compreensão e ao uso da informação, de forma a promover e manter uma boa saúde“. Esta evolução do conceito pretende na prática dotar o indivíduo de competências que permitam a tomada de decisões em saúde fundamentadas, no decurso do seu dia a dia, tornando-o mais autónomo e responsável em relação à sua saúde, dos que dependem dele e à comunidade.

A importância da literacia em saúde tem sido objeto de diversas investigações e estudos científicos destacando-se o seu papel na melhoria e manutenção da condição de saúde e qualidade de vida dos indivíduos. Para além disto, é referido o impacto que tem na diminuição dos custos da saúde: uma maior literacia em saúde está associada menos episódios de hospitalizações, períodos mais curtos de internamento e utilização de serviços de saúde, consequentemente, a uma melhor gestão dos recursos e dos gastos.

Está cientificamente comprovada a relação entre literacia e condição de saúde, onde o indivíduo com baixa literacia apresenta uma menor probabilidade de compreender a informação quer oral, quer escrita dos profissionais de saúde, de obter dos sistemas de saúde os serviços necessários e ainda realizar e seguir os procedimentos prescritos. A população mais vulnerável são os idosos que apresentam uma menor capacidade de tomarem os medicamentos correta e atempadamente, cometendo erros por deficiente interpretação dos rótulos e mensagens de saúde, apesar do apoio social existente que vai atenuando esta situação.

Para além do referido, a baixa literacia em saúde, tem vindo a ser apontada como um fator de risco para diversas doenças como a diabetes, a obesidade, doenças cardiovasculares ou cancro pela baixa utilização dos serviços de prevenção e de rastreio. Deste modo, a promoção da literacia em saúde é vista atualmente como uma prioridade dos responsáveis pelos sistemas de saúde. Em Portugal, de entre os planos prioritários em saúde, está o Programa Nacional de Educação para a Saúde e Auto-cuidados com o principal objetivo de reforçar o papel do cidadão no sistema de saúde.

As pessoas devem procurar cada vez mais serem gestores ativos da sua condição de saúde e do envelhecimento ativo, mantendo-se informadas e com a possibilidade de interagirem com os profissionais de saúde. Para tal, muito têm contribuído as novas tecnologias, havendo, no entanto, um longo caminho a ser percorrido.

Referências
[1] Health education as social policy, Scott K.Simonds, Dr. P.H. 1974.
[2] World Health Organization. Health promotion glossary.Geneva: World Health Organization; 1998.
[3] Literacia em saúde, dos dados à ação: tradução, validação e aplicação do European Health Literacy Survey em Portugal; Ana Rita Pedro, Odete Amaral e Ana Escoval; 19 de outubro 2016.