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O aumento da esperança de vida saudável até 2030 em pelo menos 30% é uma das prioridades da Direção-Geral de Saúde. Além da melhoria contínua dos cuidados saúde integrados, para o alcance desta meta muito contribuirá a definição de estratégias para a promoção do Envelhecimento Ativo. Segundo a OMS, o Envelhecimento Ativo, conceito que veio substituir “Envelhecimento Saudável”, é “o processo de otimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas à medida que envelhecem”. Para além da idade e dos cuidados de saúde, para um Envelhecimento Ativo, contribuem muitos outros fatores individuais, familiares, sociais, ambientais, climáticos, de desenvolvimento ou de conflito, que influenciam e determinam o modo como os indivíduos e populações envelhecem.

Coimbra foi considerada um centro de referência a nível Europeu para o Envelhecimento Ativo e Saudável, pela qualidade de vida, serviços de saúde, equipamentos e infraestruturas desportivas e serviços municipais existentes e disponíveis para o apoio ao idoso. A candidatura foi levada a cabo pelo consórcio Ageing@Coimbra cuja missão visa a valorização do papel do idoso na sociedade e a aplicação de boas práticas em prol do seu bem-estar geral e de um envelhecimento ativo e saudável.

Uma das principais dificuldades sentidas pelos idosos reside na adaptação a uma nova fase da vida que é a reforma. Após a reforma, é comum os idosos passarem grande parte do dia no seu lar com a instalação progressiva da inatividade intelectual, física e social. Posteriormente, a adoção de um estilo de vida “sem regras” – falta de regras no horário das refeições, má administração medicamentosa, falta de exercício e prática de  hobbies – tem repercussões graves na condição de bem-estar com a instalação de doenças crónicas e do foro mental como depressões. Deste modo, o abandono de uma vida profissional não tem que significar o fim de uma vida ativa, representando o início de um novo ciclo de vida direcionado de forma mais otimista e propício para o reconhecimento, valorização e aproveitamento da capacidade e competência dos idosos.

O aparecimento de instituições educativas para idosos em Portugal tem tido um papel fundamental: funcionam como agentes facilitadores não só da autovalorizarão do idoso, mas também da maior consciencialização da sociedade face ao processo de envelhecimento. A primeira instituição educativa vocacionada para a população idosa surgiu em Portugal em 1976, tendo por base o modelo inglês: sem fins lucrativos e privilegiando a aprendizagem informal. Atualmente existem cerca de 102 instituições educativas para seniores em Portugal: 54 universidades séniores, 18 com outro epíteto, 16 universidades da terceira idade e 14 academias seniores. Existe a oportunidade dos idosos se envolverem tanto como alunos ou como professores. Encontram um vasto leque de disciplinas que podem frequentar, de caráter mais académico ou mais prático, não havendo lugar à avaliação formal, mas ao aprender por e com gosto. Dos programas consta uma forte componente de convívio e socialização, assim como a aprendizagem viva: visita dos locais de estudo (cidades, museus) e a apresentação do trabalho feito (peças de teatro, exposições) e ainda encontro entre instituições.

O aparecimento destas instituições e o desenvolvimento destas iniciativas contribuem inequivocamente para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável, servindo, muitas elas, para a partilha e transmissão do conhecimento intergeracional.